IMPACTOS DA TERCEIRIZAÇÃO NA SUBJETIVIDADE DO TRABALHADOR

Número: 
3110
Código do trabalho: 
T12_0490_3110
Resumo: 
Expressão da flexibilidade que a lógica do neoliberalismo vem imprimindo ao mundo do trabalho, a terceirização (outsourcing) tem sido alardeada, desde o início de sua adoção, como uma solução racional e econômica para que as organizações concentrem a atenção sobre suas atividades-fim e deleguem para terceiros a gestão das atividades-meio, premissa que tornou-se um truísmo ao longo dos anos e que vem transformando a força de trabalho das corporações numa população majoritariamente terceirizada. No entanto, ainda que essas contratações flexíveis possam trazer, no curto prazo, uma aparente redução de custos, ao mesmo tempo depositam sobre a massa de trabalhadores terceirizados a sustentação de planos de negócio arrojados e de orçamentos muitas vezes bilionários, implicando em desafios que precisam ser enfrentados por esse contingente. Considerando-se as características de precarização do trabalho terceirizado, suas ambigüidades na constituição de laços sociais e o impacto sobre o desejo e o bem-estar de seus trabalhadores, torna-se cada vez mais premente debruçar-se sobre os aspectos psíquicos e subjetivos que envolvem essa força de trabalho para realçar as contradições presentes nos ideais de excelência que, paradoxalmente, sustentam-se sobre um trabalho precário. Este artigo, resultado da articulação entre teorias críticas contemporâneas - mais notadamente a Psicodinâmica do Trabalho de Christophe Dejours - e entrevistas feitas com trabalhadores, lança dúvidas sobre a dimensão de alcance dos resultados desejados pelas corporações. A hipótese é a de que as variadas formas de terceirização, naquilo que depõem contra o bem-estar e a saúde do trabalhador, podem atuar contra o alcance dos objetivos daqueles que dela se utilizam, tornando-se não apenas uma ameaça à responsabilidade social corporativa, pelo trabalho precário que representam, como também para a lucratividade e a perenidade das organizações.
Abstract: 
Expression of the flexibility with which the logic of neoliberal market has gone through the world of work, outsourcing has been considered a paradigm of precarious employment in contemporary society. Adopted as part of management strategy in public and private organizations, it has been since the beginning of its adoption, touted as a rational and economical solution for organizations to hold their attention on their core activities and delegate to others the management of secundary activities - a premise that has become a truism over the years and that is making the work force largely composed of corporate service providers. Recent studies on the relationship between subjectivity and work has shown, however, that the organization of work can act, at the same time, as an operator of health, strengthening of identity, cooperation and good social relations, and also, depending on its characteristics, lead to pathogenic suffering, the breakdown of collective alienation, and illness. It is necessary to think about how the various forms of outsourcing can affect the well-being and health of workers, making it difficult for corporations to achieve the results they want. It becomes a concern not only focused on social responsibility as also for the profitability and sustainability of organizations as well. The present study aims at first, rescue, with the help of psychoanalytic theory, the process of constitution of the subject, linking him with his insertion into the world of work and, more particularly, in the outsourced work. Secondly, presents research in which three former contract workers, employees now on the corporation they served, relate their life story and identify aspects that reinforce the perspective that outsourcing, which seems to be an economical alternative to management, can bring negative personal and organizational consequences, though difficult to measure.